História

Existe uma tradição popular, que se pode bem engajar com a história autêntica e bem documentada. Conforme a tradição, pelos anos de 1580, uma menina de uns doze anos de idade, andando para apanhar gravetos para cozinhar, sentindo sede, viu (ou imaginou ver) surgir entre a mata e a areia, uma figura de uma mulher linda, com um menino sentado no braço esquerdo e na mão direita uma vela acesa; atrás da figura veio um manancial de água, e todo o quadro como iluminado com uma luz azul. – Saciada a sede, correu para casa e comunicou aos seus pais o ocorrido, os quais vieram acompanhando-a; chegados ao lugar por ela indicado, constataram a existência do manancial de água, não sabendo explicar se já existia antes; e mais nada viram. Este lugar situa-se perto da confluência das ruas São Paulo com Rio Grande do Sul, bem perto da Praça Belo Horizonte.

Passados anos, a menina de então, já adulta, avistou em casa do capitão Felipe Correa uma Imagem de Nossa Senhora da Luz, trazida de Portugal, reconhecendo ser a mesma que tinha visto ou imaginado na fonte.


Pelos anos de 1600, o latifundiário e capitão Felipe Correa, proprietário da Fazenda Pituba, fez construir em terreno de sua propriedade, uma capela de taipa, no lugar que hoje seria entre as ruas Minas Gerais e Otávio Mangabeira, colocando na mesma a Imagem trazida de Portugal, de talha de madeira, medindo 53 centímetros, com o pedestal, conservada na sua Igreja da Pituba.

Durante os anos de 1610 a 1642, sendo atendente espiritual do litoral baiano, compreendido entre o Rio Vermelho e a Vila de Abrantes, o artista e religioso do Mosteiro de São Bento, Frei Agostinho da Piedade, o grande escultor e ceramista, fez para a capela da Pituba uma Imagem de Nossa Senhora da Luz, de barro cozido, e policromado, que é uma relíquia preciosa de quando o Brasil amanhecia, a qual no ano de 1949 foi restaurada, sendo reencarnada.

Os herdeiros do capitão Felipe Correa, capitão Manoel Gonçalves Saraiva e sua esposa Francisca Ferreira e o irmão desta, Francisco Ferreira, restauraram a capela pelos anos de 1663.

Em 1955, o casal Sr. Joventino Pereira da Silva e Dona Alcina Guimarães da Silva, concluíram a igreja existente, iniciada em 1949, em terreno de sua propriedade, o que realizaram para perpetuar a devoção a Nossa Senhora, sob a invocação da Luz, em reconhecimento aos inumeráveis benefícios obtidos mercê da sua intercessão.

No mesmo ano de 1955 o Sr. Cardeal Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Augusto Álvaro da Silva, inaugurou a Igreja, fazendo-a matriz da futura paróquia a ser criada, benzendo-a e sagrando o altar-mor.

Por decreto de 09 de julho de 1960, o Sr. Cardeal da Silva, criou a Paróquia de Nossa Senhora da Luz da Pituba, entregando-a na mesma data, aos cuidados espirituais da Ordem Mercedária de Nossa Senhora das Mercês, sendo nomeado primeiro vigário, o Reverendíssimo Padre Samuel Martinez Perez, que exerceu seu ministério até 15 de março de 1965.

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(Texto foi originalmente escrito pelo Padre Manuel Fernandez,
Mercedário, em 02 de fevereiro de 1969).